"Meu Coração"

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É uma história simples.

O amor me adaptou a quem eu amava.
Tantas vezes fui feito de carnaval na esperança de ser amado.
Que vergonha ter ficado pelado, junto com as palavras deixadas possíveis!
Rubor não é só ser alvo de piada, é parecido com ter entregue toda a sabedoria de crer na vida, e tal doação ter sido feita zombaria.

Fui dedicado, doei intimidade, fui corajoso, feito de bobo, ridicularizado.
Porém, não tem como não deixar notável o quanto me esforcei.

Abri as portas da minha vida, dei pele, comida lavada! e mais de mil abraços num dia...
Dei as pernas, as camas, os sonhos, os doces favoritos e meus melhores batimentos.
Até os que batiam em dinheiro.

Sou o coração tornado ridículo, que junta os cacos posteriores e se esconde embaraçado...

E o amor é que foi meu melhor infarto.

Teve a vida nas mãos, minhas roupas nos tempos felizes ao chão, e morou em minhas preces suaves de gratidão.
Deixei meu pulsar aparecer devagar, dei presentes com laço e fita, ou com lágrimas de emoção...
Mas quando algo se acaba, e vou com a vassoura da paixão ter me cegado, esqueço que é possível colar os pedaços...

‘Dei’ para viver remendado, mas nunca terei nos lábios o medo do silêncio e de seu resguardo.
Sou visível assim, todo destruído, depois de virar menino e menina, flor! se for o caso.

Amar errado só pode ter sido em virtude de não enxergar muito bem.
É o fundo de garrafa o responsável pelo que não vi.

O defeito dos meus olhos não me avisou, nem por pensamento ou qualquer sinal de subtração, que eu restaria com tanto pavor, que viveria depois das piores injustiças, quieto para sem direitos ou humanidade. E eternamente escondendo os vexames aos montes, chorando sempre muito baixo.

Não quero incomodar crescendo por dentro.

Fui nu, batendo carinho puro, reservado... E tudo o que deve ser poupado vive hoje em todos os meus rostos rosados pela lembrança...
De ter feito além do que eu queria, em nome de uma carência afetiva.

Sou de verdade, o jeito de amor com requintes de poesia...
Nunca imaginei ser tão exposto às dores e às cobiças dos meus escolhidos para serem amados...
Nem consegui ensinar a prestar atenção no coração dizendo sempre a respeito do amor, que deve ser respeitado.

A intimidade quase me levou a vida embora. Hoje, bato sereno, crendo numa entrega perfeita antes de deitar em paz, à noite um pouco mais tarde...

O meu coração foi conhecido por Deus, por isso, mantenho a fé maior que a vontade de me enfiar num buraco e não sair dele tão cedo. Jamais antes de entender que amei o melhor que pude.
Foi muito bom ter amado, como é excelente ter esperança para a necessidade de apagar uma luz solitária.

Tenho orgulho de saber amar muito bem.
Sou mais firme por desistir de sonhar.
Mais manso e sábio.

O melhor é sentir que nunca mais farei o que não quero, para agradar quem não gosta de ser amado.
Só temo a nudez da honestidade, e a coragem de expressar o que se deve sepultar.
Cresci ao me deparar com a luta ganha contra a paixão no que faz:
Ela tira a magnitude da realidade, e faz vítimas de quando o tempo passa, trazendo as lembranças de ter feito o que não quis.

E mesmo assim, agradeço a chance de saber amar o amor incondicional e involuntário.
É muito bom conhecer o próprio coração.

Para reservá-lo com doçura e olhos melhores, decifrando a cegueira dolorosa de uma paixão.

(Olívia)