"Andar e fazer outras coisas"



Às sombras firmes, estendi o tempo, respeitei e o fiz parceiro...
Decidi parar de parar quando comecei a morrer.
Olhei sem temer o futuro, aonde ainda neste tempo, piso suavemente.
Meus excessos os deixo aos passos,
Silenciosos destratos, diante de fé intacta,
Não sei mais parar.

Da saudade e do sucesso, mesclados tantos hediondos fatos,
Amaciei sem pensar, amadureci enquanto passei...
Por horrores, ou amores, medos e dores...
Desisti de desistir.
Agravando-se a pretérita trajetória, aprendi só a continuar.
Pausando menos, sonhando também raramente,

Longe de apatia, dormências ou defesas...
Foi a entrega que fez o andar!
Deixei de escolher uma regra do corpo a dividir,
parei de 'somente' chorar, dormir, comer, esquecer...
Passei a fazer tudo ao mesmo tempo da caminhada, não deixando minha vida doer sozinha...
Tenho preparo desde então, para andar triste ou rir dormindo,

Comer pensando, cultivando o amanhã ontem, sabendo piorar sem permanecer em um único lugar...
Andar então, virou ato inconsciente como crescer à noite.
Nunca mais abandonei a continuidade para assistir a plenitude que o coração sente, ouví-lo enfático de excitação ou embargo...
Nem ler um bom exemplo parado logo à frente.
Depois do hábito de me lançar adiante, independendo o instante, inda mais cedo, perdi o interesse pelo passado.

Risco importante o açoitado com atenção!
Pode o mundo parar, cair em minha frente, posso ver algo excêntrico, posso estar diante de milagres, e todos agora sendo impecilhos aos meus passos...
Adquiri o vício preponderante de saber superar, regado à dedicação carinhosa de meu intuito nobre, aprender a sofrer e a amar da melhor maneira possível...
Tudo passou a ter serenidade nos caminhos da emoção.

Sem o impacto, o desespero, a veia de amparo seguiu feliz me oferecendo companhia a entregar à fé, todo conhecimento e chance de sublimar os tamanhos pequeninos de mim,
querendo dar flores calmas à estima e à emoção de viver em paz.

(Olívia)