"Os dormentes"



Dormindo bobagens lindas, ponho-as acamadas,
Dormindo sentadas, numa preferência torrencial,
Exigindo demais que se descansem para o futuro...
Estejam preparadas com suas fotografias íntimas,
Nas estrelas das idades, ou no tracejo do ex-bocejo,
Caindo as cabeças de moleza e cansaço...

Sonham de tantos aniversários de distância,
De tez diferentes ainda das casas dos olhos os escondendo...
Eis a cada sonho invisível, alguns maciços esboços do corpo...
E um doravante comum a todos os abraçados pela letargia de preparo...
Inda a todos, o retrato portado por um amanhã mais encharcado de vida...
Olhos abertos ao raiar dos horários...

A saída de volta ao desperto estado, propus que se vão embora de minha morada.
Sou responsável apenas pelos sonos invejados, com minhas mãos livres,
Num traço simples escolhido como fardo observatório...
Quisera eu, sorrir ao dormir por ir a algum espetáculo de paz sem passado...
Crianças e velhos, meninos e indefinidos, escolho meus quatro rostos, e aguardo...
Vislumbro solitária, o que move as covas de rosto e as belezas...

Desenho no simples, os exatos desconhecidos por mim imaginados...
Que tanto explicam o conforto com os olhos fechados puxando os sorrisos para cima?
Perto donde o brilho é vendado?
Os rostos sofrem um forte abraço...
Enquanto dormem sem falar onde estão...
Bem quando fito eternas horas de vontade...

Ir também para onde os olhos fechados agarram sorrisos.
Aonde o rosto perde a majestade do mistério e mostra que é bom...
Sono sendo dependente, em paz demais para precisar de cuidados...
Basto-me parando ainda de piscar a não somar momentos velozes...
Perdidos de um rumor diferente dos lábios sutis;
Não posso parar de olhar minhas vontades...

De dormir, de me decepcionar em seus despertares...
Por talvez que não brilhem tanto os olhos destes sonos frágeis...
Ou pior, quiçá nem agradeçam à fé translúcida tais possibilidades...
De sonhar! enquanto tantos poetas debaixo dos escombros dos corações dilacerados,
Inda vêem eternos respiros a inspirá-los...
Vivendo ou não, de seus mais hediondos pesadelos e traumas;

Aguardo então, todos os retratos finalmente acordarem...
Para saírem da minha cama, e de dentro da minha desnutrida casa.

(Olívia)