"Pensamento de criança"

"Tudo é muito rapidinho, para perdermos tempos não percebendo."

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Tem gente que não vai à pé a nada,
Que num sabe rir de coisa engraçada,
Parte sem desejar boa tarde ou dia...
Quem não ouve sino, dorme sorrindo,
Nem nunca conhece pedacinhos da bíblia...

Tem gente que negou o começo da vida...
Aquele que dormiu de tristeza, e não acordou...
Tem gente que nunca saiu de joelho,
De medo de ter cometido um erro...
Gente que nunca deu arrepio.

Ouvi desde cedo, aprendi vendo e quieta,
Que gente tem de todo tipo,
Estranha e barulhenta, serena e carinhosa,
Briguenta, com horror a mariposa,
Com medo do descongelamento dos extremos do planeta...

Tem gente de cada jeito, mal eu! Compreendo...
Exatamente cresci compreendendo... Mas é longe de mim,
O lixo no chão, o feitiço do amor atado,
O maneirismo, tantas vezes dado errado...
E o desespero por respeitar o egoísmo alheio.

Importa-me sempre que penso, vivemos livres para o sermos!
E em dado momento, tantos, aos extremos,
Perdendo-se no rude descuido,
De largar a ermo aquilo tudo que já aprendemos.
Tem gente de todos os dias, de todas as classes...

Gente de sorte na vida, com saúde e família,
Outros sem o teto ou o pão do dia-dia...
O que me admira é mesmo o em que se parecem em cheio:
Ninguém fica parado na vida... Nem sem o pulmão cheio,
Nem sem sonhar com felicidade, e ainda...

Mexer-se para conhecê-la.
Aquilo unindo o comum dos seres quentes,
É como uma boa dívida, cobrando apenas,
Não pararem de crescer, voar, ou andar...
Ir é mais importante que vir, e isso, todos nós já sabemos.

Há o descuidado demais com o humor egocêntrico,
O preocupado efetivo com gerir a fé ou a crença do vizinho,
Os cobrados de terem mal feito o regente à poesia do tempo...
E os cobradores com suave falta de aprofundamento...
Admiro a todos, desde quando engatinham a quando descansam pra sempre.

O comum é mais que ter vivido ou se cruzado nos bons e médios caminhos...
É ter tido coração batendo, evolução obrigatória, passos largos e lentos...
Ao que exige da humanidade, a forma contente.
Fantasma, bruxa, transporte, humor, sabatina e catequese,
Coragem e centro, compaixão e exemplo...

Em erros e mais erros, até um acidente com a lua é possível,
Para isso, basta ser mágico ou estar vivo...
Nada além de sonhar com dançar, ir! e amar...
Sem descuido com o passo adiante importado...
Como os horários das luzes e dos companheiros.

Aqueles completos de entendimento,
Seguem seu curso encantando pensadores pequeninos,
Contempladores de passarinhos, atentos com o efeito do afago,
Lendo No Vizinho, o que desejaríamos por nós,
Sendo suave, e eternamente feito.

(Olívia)