"Aprender a sofrer"



É igual. Porque é inexplicável.
Mesmo sabendo, largando pra trás...
Como os dias passam, o tempo estraçalha cheio de fúria...
Deve ser isso o obrigando a atropelar o futuro, nu de miséria própria...
A pressa vem, traz a volta sofrendo a falta de horas vagas e comiseradas...

Entorta o fluxo de ponteiros perdidos,
Estorna em outra valência que acolha de acordo...
Tudo aquilo que não dá saudade por ter doído... Deve ser mais ou menos triste,
Talvez breve, já que inda assim, mora e não se muda...
Nada à vida não a abraça... Esquece... Menos está...

É uma mão de prata e força, atacando o delicado de dentro do passado.
Estrangulando o melhor órgão da vida...
Apertando descomunal, arrancando água.
Secando o dever de bombear outro líquido, e suando sal.
Dentro do peito ocupado de amar, de acalmar, de esperar...

Sabe-se nunca nada da mão de prata.
Ouvi dizer que é mulher, linda!... Exigente...
Talvez magnífica, porém jamais pelo cargo, no máximo, pela aparência...
Mão de dívida, sobrecarregando de avisos à infância...
Não faça isso! – aos pontos de experimento.

Viver, não vive, suga e guarda força para doer quando já no meio da bondade...
O dono, na maré mais suave do que resignou, dos passos mancados,
Das pernas cambaleantes descansadas de obstinarem diante do sono,
Do susto, da prece rezada às vozes do pulmão, ali ao lado...
Quer a mão de prata, apertar até arrepender!

Até parar o coração de soltar lágrima e medo,
Esmagado-o sem ter aprendido a sangrar;
Coraçãozinho nobilíssimo, ainda bebê...
Da mãos de prata e força, parece a doença do erro.
Conhecer lados densos e certeiros...

Sabe-se de quando a mão de prata não mata,
Ou o aperto não finda breve como deve,
E tarda o alívio dando espaço para encolher o grito,
Berrar por dentro, e em prece, sonhar com a mãe salvando...
Gastando o vazio sem chamar cores quentes de resgate...

A mão de prata é a inconsolável,
Implacável, devastadora, urgente... Agonia.
Contra a qual se luta com única certeza:
Mesmo chorando, o coração aprendeu a ser prioridade,
E a suportar os terrores do passado e de novos presságios.




Ainda assim, a vida acontece.
Resgata as forças de quando era menina,
Embebida em beleza, por entre paisagens alegóricas...
Fantásticas adiante.

Mesmo convalescendo de aprender incansável,
Resguarda alegrias serelepes, em comissões sutis,
Em sua suavidade de continuar, independente da dor de crescer ser muita,
Quando crescia empurrada pela pressa das expectativas...

Ao redor permaneceu bonito,
Mexeu-se lotado de cuidados invisíveis...
Simplificou seus máximos ao estrito, ofereceu caminho e vastidão...

Ganhou dos abismos nada mais que noções de tamanho.
Esteve para quando precisei tanto de carinho ou consolo...
Sofro menos, passeando por tudo isso.

(Olívia)